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Archive for março \26\UTC 2010

Salvem o Porto da Barra!

Nesse fim de semana uma cervejaria vai fazer uma ação de limpeza das praias da Barra (do Cristo ao Porto), com a ajuda de mergulhadores. É algo parecido com aquilo que durante muitos anos aconteceu no Porto sob coordenação da extinta ONG Lixo Zero, só que algo comercial. Os 10 mergulhadores foram contratados.

A verdade é que a praia do Porto está muito suja. Há muito que não se olha por aquele lugar como deveria. E para piorar a situação, a administração atual só pensa em fazer festinha na areia, aumentando a imundície da região.  Não adianta limpar a praia depois da festa, quando a maré já carregou a sujeira para o mar.

Poucos dias após o carnaval, um grupo de mergulhadores fez imagens do fundo do mar na região do Porto. O que se viu foi um mar de lixo, resultado, em especial, dos shows e do carnaval, com grande número de latinhas.

A idéia da tal empresa cervejeira é boa. Se promover realizando um projeto que tinha que ser da prefeitura. E só limpar não resolve. Tem que ensinar a não sujar, porque o que se vê acontecer naquela praia é bárbaro. Me lembro do último dia que fui lá tomar um banho de mar. Bati boca com uma mãe que ensinava o filho de uns 2 anos a jogar a latinha no mar, como se a água fosse a lixeira do mundo. Perguntei se aquilo era o que ela poderia de melhor ensinar ao seu filho naquele momento, e ela se ofendeu. Achou que eu estava me metendo onde não devia. Será?

Espero que a limpeza do fim de semana, seja só a primeira etapa de algo que se mantenha por anos. E que de alguma forma as pessoas entendam a importância daquilo. Não quero desmerecer a ação da empresa, mas é bom lembrar que o esforço é de muito mais gente engajada do que de uma empresa única.  A atitude da cervejaria é um paliativo para aproveitar o momento e ficar com a imagem limpa na praça.

Gostaria de aproveitar para parabenizar o trabalho de Bernardo Mussi e Francisco Pedro, os mergulhadores que divulgaram através de e-mail (para o Brasil todo) a situação de nossa praia. Que o trabalho sirva para abrir a cabeça do público.

Hoje encontrei um texto de 2008 do compositor Paquito, que diz tudo aquilo que eu gostaria, então vou postar aqui abaixo.

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“Caetano, em entrevista recente ao jornal A Tarde, discorreu sobre a questão do aumento do gabarito da orla de Salvador, um negócio assustador pra qualquer cidadão que se importe com o viver bem na cidade da Bahia. Como disse Manuel Bandeira, no Nordeste faz calor também, mas lá tem brisa. Então, vamos viver de brisa, arremata o poeta. Só que, com prédios altos, isso não será possível.

Entre outras coisas, Caetano disse também ter achado a praia do Porto da Barra muito suja, diferente do que acontecia quando o prefeito de Salvador era Antonio Imbassahy. Sinceramente, eu não tenho conhecimento das políticas públicas da prefeitura atual sobre a limpeza da praia do Porto.

A julgar pelo que se vê e se sente, é bem pouco, pois a praia só é limpa à noite, depois que os banhistas vão embora. Estes, por sua vez, não estão muito aí pra limpeza. Então, no período do dia, quando é grande a freqüência da praia do Porto, o lixo acumulado junta-se às águas, e a gente não pode mergulhar sem esbarrar casualmente em copos, cocos e – não posso evitar o jogo de palavras- cocôs.

É duro e triste, principalmente quando se leva em conta que a praia do Porto foi considerada a terceira melhor do mundo por um jornalista do The Guardian, assunto de que já tratei aqui na minha coluna. E falei também do grande responsável, de 1999 até 2006, pela limpeza da mesma, o jornalista Raimundo Brandão, criador da ONG Lixo Zero, que atualmente está desativada.

Nos anos noventa, havia uma turma, constituída por artistas, jornalistas, escritores, desocupados e afins, que ia ao Porto sempre nos finais de tarde dos dias úteis, quase como uma família que se via informalmente, o que acabou levando ao desenvolvimento de um afeto mútuo entre nós, regado a conversas plenas de humor. Brandão era um destes, e, uma vez, se queixou com veemência da sujeira da praia, ao que eu retruquei: “Se você se queixa tanto, por que não faz algo?”

Não me sinto responsável pelo que veio a ocorrer, o que me orgulharia sobremaneira, mas o fato é que Brandão fez, e como fez! Criou a ONG, na verdade uma ING (Indivíduo Não Governamental), pois foi ele quem tomou a frente, e liderou um trabalho de educação dos freqüentadores da praia, incluindo banhistas e vendedores ambulantes, no sentido de contribuir para a limpeza do local, utilizando saquinhos nos quais se colocava o lixo.

O próprio Caetano foi um dos que deu apoio público à ONG, que chegou a organizar um mergulho anual para a retirada do lixo, premiando o mergulhador que mais lixo conseguisse retirar das águas. No fim, o lixo acumulado era exposto, quase como uma escultura de arte contemporânea, a vista de todos os passantes, na calçada vizinha à praia.

A Limpurb, órgão que cuidava da limpeza da cidade, apoiou a iniciativa da ONG, mas o fato, faço questão de reiterar, é que Brandão foi o grande responsável pela política de limpeza da praia do Porto da Barra, antes de se retirar para o Capão, na Chapada Diamantina, onde mora até hoje.

Na sexta-feira passada, encontrei outro freqüentador histórico, pertencente à mesma turma, Ricardo Fernandes, que foi tesoureiro da Lixo Zero, que só fez endossar o que aqui digo sobre Brandão. Enquanto conversávamos, nos demos conta de um esgoto reativado, cujos dejetos desembocavam justamente no mar, o que é emblemático da situação atual da nossa tão vilipendiada prainha que, diga-se de passagem é localizada privilegiadamente no centro da cidade, além de bastante apropriada pra natação, por ser uma piscina natural. Ricardo lembrou que Brandão chegava a usar um megafone pra fazer sua campanha cotidiana, tanto que foi apelidado de xerife pelos habitues.

Às vezes até alvo de gracinhas, Brandão faz falta, pois todo o seu esforço foi reduzido a quase nada. As pessoas continuam não só jogando lixo, e muito lixo, na areia e nas águas, como estacionando carros com o sistema de som em volume altíssimo na balaustrada da praia, pra quem queira e pra quem não queira ouvir. Sem falar nas lanchinhas a motor que não respeitam a distância regulamentar e ameaçam seriamente os banhistas. Já houve um caso de um sujeito usando jet-ski que teve o veículo apreendido. Por quem? Por um policial chamado por Brandão, é claro, na época em que ainda freqüentava o Porto.

A ONG tinha outros associados, como o próprio Ricardo, que ainda segurou a peteca depois que Brandão se mandou pro Capão. Mas era o xerife mesmo quem levava a organização à frente, e é dele que sentimos saudades, diante do excesso de lixo e barulho que assola a enseada do Porto da Barra.

É uma pena que ainda precisemos de xerifes, quando a prefeitura não faz o que lhe compete, e os próprios usuários da praia em nada contribuem pra não sujar o local, onde aportou, quando aqui chegou, Tomé de Souza, primeiro governador-geral da então colônia portuguesa, recebido por Diogo Álvares, o Caramuru, que deve ter tomando banhos, junto à amada Paraguassú, muito mais saudáveis que os nossos.

Paquito é músico e produtor.
Fale com Paquito: anjo.paquito@terra.com.br

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E por favor, se alguém quiser ressucitar a ONG, me chame.

Bom fim de semana!
51lv14

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Sucesso!

Comemorando os excelentes índices de audiência do verão (que está acabando) aproveito para postar uma foto dos apresentadores do Mosaico. Aproveito para agradecer a todos aqueles que fazem o sucesso do programa (produtores, diretores, editores, figurinistas, maquiadores, etc).

Que venha a próxima estação, com mais sucesso ainda!

Turma do Mosaico

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Faculdade da Terceira Idade

Uma tarde repleta de atividades especiais voltadas para um público mais maduro. Hoje fomos visitar e conhecer melhor como funcionam as faculdades da maturidade. Os alunos têm a partir de 50 anos (a mais antiga tem 87 anos), a grande maioria são mulheres. Mães, avós, profissionais, donas de casa, esposas, aposentadas. Para muitas delas, a vida chegou a um ponto em que já não se sentem mais úteis. Com o tempo livre, os dias ficam longos.

Para minha surpresa, essas faculdades não são tão caras. 190 reais por mês. Aulas de segunda a quinta, das 14h as 18h, dos mais variados assuntos: história da arte, filosofia, direito, história da bahia, idiomas, artes, dança, alongamento, saúde. Falando em alongamento, cruzei com a mais idosa da turma justamente nessa aula. Aos 87 anos, ela é MUITO mais flexível que eu. Impressionante.

Em um depoimento interessante, uma delas confessou: “estava cansada de ser babá dos netos, de levar eles para tudo quanto é aula. agora quem vai pra aula sou eu”. E não é que faz sentido??

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O que se passa no mundo??

Gente, o que está acontecendo ao redor do planeta? Com tantos terremotos e tantas profecias que se cumprem dá até para acreditar em um monte de coisa que se fala por aí sobre 2012.  Um dia desses o cantor Netinho estava falando sobre o assunto no blog dele e eu fiquei super impressionada.

Depois do que houve no Haiti,  agora, aqui pertinho,  esse terremoto no Chile, país que tanto adoro, onde tenho amigos… é de partir o coração ver um país incrível como aquele sofrer tamanha tragédia.  Estou profundamente sentida com as notícias que chegam a cada minuto e muito preocupada pelos amigos que tenho lá (felizmente vivem em Santiago, afastados do epicentro).

Lembro que quando estive lá o guia comentou sobre os terremotos que costumavam acontecer naquela região, dizendo que há muitos anos não ocorria nenhum. 

Desde sábado o país vem sendo atingido por inúmeros tremores de terra e tsunamis. Estou arrasada.

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